quarta-feira, outubro 17, 2007

Da Inominabilidade - Parte LXXX


- Alcançar Luzes Não É Determinismo Fatídico Ou O Esplendor Radiante De Um Iluminar-Se Espontâneo. Para Os Inomináveis, para nós que somos Inomináveis, As Luzes São As Pontas Desencadeadoras Das Melhores Visões Da Realidade Da Criação Nas Trevas. O Inominável Desconhecido Sabe Que Não Pode, Ainda, Dar-Se Ao Intuito De Ser Conhecido Por Todos, Pois Poucos São Os Que Aprendem E Apreendem Unicamente A Essência Esquecendo-Se Da Perdida Situação De Apenas Aprender E Apreender Tudo Através De Nomes. Subimos Montanhas, Elevamos As Rondas, Dedicamos Nosso Pequeno Pedaço De Solo Inominável Ao Nosso Grande Predominar Nas Trevas Inomináveis. Aguardamos O Inominável Desconhecido Ser Em Nós O Guia Entre Todas As Trevas Inomináveis, Somos O Cajado Inominável Dele, Somos As Ruas Percorridas Por Ele, Somos Os Lagos Visitados Por Ele, Somos Os Ventos Tocados Por Ele. Adquirimos O Ensino Das Trevas Inomináveis, Ouvimos O Coroar Das Batalhas Generosas Das Coisas Pelas Esferas, O Inominável Desconhecido É Nossas Mãos, Nossos Pés, Nossas Faces, Nossas Bases, Nossas Asas. Somos As Mãos, Somos Os pés, Somos As Faces, Somos As Bases, Somos As Asas Do Inominável Desconhecido. Acendemos Pequenas Velas, Irmãos Existenciais Inomináveis, Nas Trevas Inomináveis, Deitados No Ancoradouro Dos Mistérios Mutáveis Que Se Revelam Essencialmente Diante Do Nosso Olhar Mais Aberto Do Que Todo Olhar Nomeador E Nomeável. As Trevas Dançam, As Trevas Doam, As Trevas Abençoam, As Trevas Abraçam. Mesmo Estranhos aos demais Seres Da Criação, nós, Os Inomináveis, não devemos esmorecer apenas porque não somos verdadeiramente compreendidos. Não devemos nos afastar da seguridade do Inominável Desconhecido Que Nós Somos, Sempre Nas Trevas Para Que As Melhores Luzes Possam Surgir. Não devemos nos ater aos mesquinhos humores e temores das demais criaturas, dos demais Seres Da Criação que, no Baixo e no Mais Baixo, sempre debocharam, atentaram e até assassinaram aos Maiores Representantes De Todas As Fontes De Poder. Não agimos, nós, Os Inomináveis, pelas Luzes. Agimos, nós, Os Inomináveis, apenas pelas Trevas. Não precisamos surgir diante de todas as multidões de todos os mundos porque não somos partidários da aparição excessiva e do escandaloso alvorecer das gritarias dos discursos. Nós, Os Inomináveis, Falamos Silenciosamente Como Silenciosamente Fala O Inominável Desconhecido Que Nós Somos. Estamos Com O Inominável Desconhecido, Irmãos Existenciais Inomináveis, Protegidos Pelo Calor De Todas As Trevas Inomináveis Que Nos Posicionam Bem Perto Das Verdadeiras Luzes Do Ser De Todas As Coisas. As Verdadeiras Trevas Dançam. As Verdadeiras Luzes Dançam. São Senhoras Dançantes No Patamar Mutável Da Nossa Mãe E De Nosso Pai Inominável Que Nós Mesmos Somos No Caminho Inominável Que Percorremos Sempre Nos Modificando.




Um comentário:

Z disse...

Uma Voz na Pedra


Não sei se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.

Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito, ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha tristeza é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei. Amo. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.

Antonio Ramos Rosa

Até.