segunda-feira, janeiro 15, 2007

Folhas De Gaia


O silvestre odor dos campos terrestres emitido em grandiosas escalas aqui no Útero, submete-me a um Sonho... O Sonho Do Adormecer Nas Sendas Da Deusa Natureza... O Sonho De Despertar Nas Sendas Da Deusa Natureza... Selvagem É O Odor De Gaia, A Face Da Deusa Natureza, Da Mãe Do Kosmos, Revelada No Planeta Terra. O Cadinho Dela, da Deusa Natureza, O Infinito Cadinho De Maravilhas Eternas Dela, foi utilizado por Seyin na Construção Da Terra. Do Negro Horizonte Fértil Seyin Fez Brotar O Vermelho Reprodutor Diante Do Branco Infértil. No solo terrestre repousam Partes Cósmicas Do Todo E Do Nada Cósmicos. Mais precisamente, O Nada Cósmico, O Que Sempre Origina O Que É Para Ser Originado, É O Elemento Maior De Todo Ser A Nascer Na Esfera Terrestre. A Humanidade Louvou Gaia Verdadeiramente no que Ela denomina de Antiguidade Terrestre. Gaia era, no que os Anjos Caídos denominam de Era Dos Fins Dos Dourados Tempos, A Deusa Que Concedia O Licor Sagrado Retirado Das Folhas Silvestres Sagradas Aos Pés De Todos Os Deuses. Nas Idades De Ouro, Ela Foi A Una Mãe, A Maior Das Deusas. Nesta Idade De Lata, Ela é apenas uma dos inumeráveis Deuses Esquecidos pela Humanidade por causa da Mentira Eterna Da Existência De Um Deus Único. Toda árvore derrubada no Hoje é como o Cair De Toda Folha Silvestre Sagrada Nos Limbos Do Mais Baixo.

Eu, Alynne, cabeças abaixadas, olhos fechados... Seyin... Seyin, chorando... Seyin, Pai Chorando Com A Sua Filha Chora... Seyin... Palavras Verdadeiras Como Folhas De Gaia Ao Vento Maior Dos Inomináveis Centros De Poder Oculto...


Folhas No Percurso,

O Percurso Infinito Das Eras,

O Percurso Infinito Das Não-Eras,

Percurso De Fatos,

Percurso Do Fato,

Percurso Das Idéias,

Percurso Da Idéia,

Minha Filha.

Vosso Pai Aqui Exausto,

Tão Grande Plantador De Árvores,

Minha Filha,

Recolhe Agora Os Pedaços

Dos Troncos Podres

De Suas Árvores Caídas...

Minhas Folhas,

Minha Filha,

As Chamas Da Minha

História Quedante

Incineraram...

Minha Folha,

A Folha Da Minha

Árvore Existencial,

A Árvore Das Minhas

Ocultas Asas,

Incineradas Pelas Minhas

Bestiais Exaustões,

Minha Filha...

Mas,

As Vossas Folhas,

Minha Filha,

Eternidades De Folhas Sagradas,

Livres Da Exaustão,

Resistente A Todo O Queimar

Advindo Do Humano Campo

De Árvores Apodrecendo,

De Árvores Ressecadas,

De Árvores Moribundas,

De Árvores Mortas,

Estão Ainda,

Como Ao Serem Por Mim

Feitas Da Árvore Cósmica

Da Criação,

Cheias Do Poder

Do Cósmico Coração!

Vosso Coração,

Minha Filha,

Em Vossas Folhas,

Ainda Sagram A Todos

Os Que Aqui Vivem,

Mesmo Não-Merecedores

De Vosso Amor,

Com A Sagrada Forma

Da Cósmica Árvore Encontrável

Além Dos Caminhos

Das Escadarias!

Os Filhos Da Deusa Natureza

Em Vossas Folhas,

Minha Filha,

Sagrados E Benditos

Guiam Aos Humanos

Que Sagrados E Benditos

Em Vosso Útero

Querem Ser!

Não Desistas,

Minha Filha,

Não Desistas

De Vossas Folhas,

Nascidas Desta Árvore Caída

Que É Vosso Pai,

Nascida De Vossa Árvore Elevada,

A Árvore Elevada Que Tu És!

Recolho Vossas Folhas,

Minha Filha!

Recolho Vossas Folhas

Para Lança-Las Em Direção

Aos Que Não Podem Vê-Las,

Minha Filha!

Vosso Pai Aqui

Recolhendo As Vossas Folhas,

Minha Filha,

Irá Apenas Por Ti

Lança-Las Aos Que

Não As Vêem!

A Humanidade Não Merece

Que Eu Lance-As

Em Direção À Ela...


Os Seres Da Natureza, Os Filhos De Gaia, Os Filhos De Gaia E Filhos De Seyin, surgem aqui no Útero, choram com A Mãe, Choram Com O Pai Que É A Mãe. Eles estão Exaustos, os humanos já não os reconhecem e nem ouvem os seus lamentos dolorosos... Eles estão Exaustos, os humanos esqueceram-se Deles... Eles estão Exaustos, os humanos não Sabem mais o Que São Eles...

Ecologia e Amor À Natureza não são suficientes.

Precisa-Se Ser A Mãe.

Precisa-Se Ser O Pai Que É A Mãe.

Mãe De Muitos Nomes.

Pai Que É A Mãe De Muitos Nomes.

As Folhas De Gaia Precisam Ser As Almas Eternas De Todos Aqueles Que Defendem A Natureza.

Jamais encontrei as Folhas De Gaia em um defensor da Natureza...

Jamais encontrei um Verdadeiro Defensor Da Natureza...

Não nesta Idade De Lata...

Não nesta Idade...

4 comentários:

Daniele disse...

Anjo Inonimável,

Adorei a sua lúdica presença no meu blog é a densidade com que descreveu o meu poema.

Gaia, nascida do Caos,
Para sempre firme alicerce de todas as coisas e o brumoso Tártaro num recesso da Terra de largos caminhos e Eros, o mais belo de entre os deuses imortais
Que amolece os membros e, no peito de todos os deuses e de todos os homens, domina o espírito e a vontade ponderada.
Do Caos nasceu o Érebro e a negra Noite.Da noite, por sua vez, nasceu o Éter e o Dia Que ela concebeu e deu à luz, depois da sua ligação amorosa com Érebro.
E Gaia gerou primeiro Urano (o céu) constelado, igual a ela própria para cobrir em toda a volta
E para ser eternamente a morada segura dos deuses bem-aventurados
Deu à luz, em seguida, as altas montanhas. Retiros aprazíveis das ninfas divinas que habitam as montanhas arborizadas.
Também deu à luz o mar estéril
Que agita com as suas vagas, o Ponto, seu deleitoso amor.
E seguidamente, tendo partilhado o leito com Urano, gerou o oceano dos redemoinhos profundos,
E Coio e Crio e Hipérion e Jápeto…

Eis Gaia...

Estarei sempre aqui para me deleitar com a sua escrita e comentar.!
Beijos,
Daniele

Érika Gonzalez Fernandez disse...

Florbela viveu o que escreveu. Tentou, tentou e enfim conseguiu passar para o mundo dos anjos. Ela sempre foi um anjo, mas estava no lugar errado.

Inominável Ser disse...

Inomináveis Saudações, Daniele.

Gaia, A Grande Força, A Grande Forma, A Grande Mãe Terrestre. Na Mitologia que eu desenvolvo aqui no Asas, parto para uma revitalização do Mito, mas sob uma ótica nova. Bem, Daniele, não sei se posso assim mexer com os Mitos, já que são eternos, belos, inominavelmente imemoriais. Comtudo, estou bem centrado no que estou a desenvolver e posso trabalhar com Gaia conforme as perspectivas da história que aqui se expande.

Essa Força, Grande Força Da Terra, realmente está esquecida por grande parte da Humanidade. Por isso, as catástrofes naturais, a violência entre os seres humanos, as mudanças climáticas absurdas, todo o desenrolar de fatores que conturbam a esfera existencial terrestre. As perturbações da Terra são O Choro De Gaia, O Imenso, O Infinito, O Grande Choro De Gaia. Feliz Ela não está com a Humanidade, que tanto a maltrata, que tanto a perverte, que tanto a corrompe com o avanço das cidades, as queimas das florestas, as extinções das espécies animais, toda a podre marcha destrutiva humana que destitui-Lhe do Trono De Mãe De Tudo Na Terra.

Desenvolvo esse tema com Amor e com prazer, pois alertar aos meus irmãos humanos sobre tais fatos é fundamental. Saiba, Daniele, que muitos aqui já vieram a este blog e não compreenderam a proposta dele. Uma pessoa que não merece nem ser lembrada achou-o insignificante e inútil, recheado de "coisas ruins, coisas saídas de meu interior". Já me chamaram de louco e muito mais. Isso ainda acontece em meus outros blogs, mas eu continuo porque eu devo continuar e jamais parar. Muito obrigado por vossas palavras, tu demonstras ser uma pessoa, um ser humano, uma mulher, enfim, deste nosso século XXI, de mente aberta, culta, inteligente, que sabe ler nas entrelinhas.

O Caos, A Noite, O Éter, O Dia, O Céu, O Ponto, O Ser De Urano, O Ser De Coio, O Ser De Crio, O Ser De Hipérion, O Ser De Jápeto, O Ser De Todos Os Titãs, O Ser De Todos Os Deuses, Todos Os Mitos Que São Apenas Veladas Exposições De Seres E Fatos Reais, estão dispersos nas palavras deste blog e em todos os meus blogs.

Muito obrigado, Daniele, e que Ela, Gaia, lhe acompanhe em vossa Missão Existencial.

Saudações Inomináveis, Daniele.

Inominável Ser disse...

Inomináveis Saudações, Érika.

Florbela, Divina Musa, Divina Musa Tocada Pela Fonte Divina Da Deusa Poesia, tentou voar em um firmamento que não era o dela. Ela, angelicalmente dotada pela Deusa Poesia com o Dom Dos Versos, possuia asas, asas que foram reprimidas, asas que foram cortadas.

Amo a poesia de Florbela Espanca, a tenho como obra de uma existência verdadeiramente dolorosa, pulsante, como a de uma musa trágica em tempos clássicos de aventuras, sonhos, pesadelos, guerras, perdas e ganhos.

Saudações Inomináveis, Érika.