quarta-feira, novembro 01, 2006

Maternal Dor Inominável


Em terras brasileiras caminho. Terras baianas. Noite baiana, inominável noite baiana. Inominável cidade baiana. Uma igreja, inominável igreja, a minha quedante atenção chama. Há nela uma mãe. Uma inominável mãe caída. Uma inominável mãe perdida. Ela ora, e toda a oração denota a sua Queda, a sua Perdição e demais inomináveis ações de seu Ser. Igrejas são construções materiais que seguer se aproximam das Coisas Automanifestas Do Alto. Igrejas sempre me foram locais que nada de sagrado possuem, pois encarceram consciências a seguirem conscientes mentiras inconseqüentemente desenvolvidas como conscientes verdades. Anjos Caídos não freqüentam igrejas. Anjos Elevados não freqüentam igrejas. Eu não freqüento igrejas, que nada ao Alto dizem e nada no Alto são. As igrejas condizem apenas ao Baixo, O Pai Em Sopro De Tudo pode ser Sentido até na hora da mais impura humana obra, pois a todas as humanas obras Ele dá uma Oculta Obra De Autêntica Verdade. Vou adentrar em uma igreja pela primeira vez nesta humana idade deste terrestre mundo.

A inominável mulher orando chora, ajoelhada diante da imagem de Nossa Senhora Da Conceição. Imagens, outras humanas obras que nada ao Alto dizem. Ajoelho-me ao lado direito da inominável mulher orando e chorando. A inominável mulher percebe. A inominável mulher vê-me. A inominável mulher abraça-me.

- Deus, grande Deus, louvado sejas Tu, meu Deus! Obrigada pelo envio de um dos Vossos mais bondosos Anjos!
- Não sou um Anjo De Deus e nem um bondoso Anjo, inominável mãe.
- Se estás aqui dentro, desta igreja na qual eu estava orando pelo meu filho morto, tu és um Anjo De Deus!
- Oras pelo espírito de vosso filho, mas o espírito de vosso filho está precisando de descanso, precisando do Descanso.
- Não posso mais ter filhos, meu útero foi retirado, houveram complicações no parto... Devo me agarrar à esperança de que meu filho, meu filho que morreu após o parto, ainda está aqui em meus braços, chorando, sorrindo, amamentando-se em meus seios... Não cheguei a amamentá-lo... Deus, que pecado eu fiz, que pecado, para que tu me retirastes o único filho que eu teria em minha vida? Por que, Anjo Do Senhor, meu filho, meu único filho, morreu? Não ouvi o choro dele! Não vi o sorriso dele! Por que, Anjo Do Senhor, não estou agora com ele, o meu querido menino, em meus braços?
- Queridos meninos, sejam maiores ou melhores, piores ou menores, não necessariamente devem continuar a respirarem em uma Esfera. Vosso filho tinha lhe sido concedido para que tu aprendesses a amar mais intensamente, a ser uma Representante Material Da Grande Mãe Imaterial Que É O Nosso Pai Em Sopro. Tu és uma filha digna Dele, eu lhe digo isto como um que já amamentou-se da Grande Seiva Da Senda Do Alto Advinda Dele. Vosso sofrimento ocorre porque deve ocorrer e nem Ele isso pode conter, pôde conter ou poderá conter em seu continuar necessário em ti.
- Eu sou tão boa! Eu faço caridade, caridade até para com estupradores de crianças, que visito em presídios, tentando evangelizá-los! Sou uma mulher boa! Sempre fui uma mulher boa! Sou cristã, uma pobre cristã, mas possuo a riqueza de minha fé em meu Deus! Carregar esta cruz é tremendamente agonizante, eu não a suporto... Não a suporto, Anjo Do Senhor... Anjo Do Senhor, consolai-me... Pelo amor do Nosso Deus, dizei-me se eu verdadeiramente mereço esta dor de não ter o meu único filho aqui comigo! Pelas vossas Asas Celestes, pelo Pai Nosso, dizei-me, dizei-me, se eu mereço esta dor!
- Nada merece nada, inominável mãe de fé em seu Deus.
- Então, por que eu perdi o meu único filho e o meu útero? Por que?
- A tua Dor, inominável mãe de fé em seu Deus, conhece a resposta. Não sou um Anjo de vosso Senhor e não posso lhe dizer o que a vossa Dor já lhe diz.
- Tu és um Anjo Do Senhor, estás aqui dentro da Casa Do Senhor, e eu creio... Eu...
Ela chora. Chora recostando sua cabeça ao meu ombro direito. Suas lágrimas umedecem a minha asa direita. Sentia antes as dores humanas, a Dor, distanciado de todos os sofredores humanos. Abraço agora a esta inominável mãe e sinto verdadeiramente a Dor, a Dor de um ser humano que tanto caminha pela atenção de um Deus Único inexistente. Poderia falar-lhe que tudo o que está passando é uma das Grandes Provações Materiais. Poderia falar-lhe que não adianta orar, que seu filho em outra Esfera já esta, sofrendo ao ouvir-lhe as palavras dolorosas de Dor e de Desepero. Poderia consolá-la com palavras, as palavras que ela quer ouvir de um Anjo do seu Senhor. Porém, quero a ela ficar abraçado, apenas abraçado. Eu a farei adormecer em meus braços e a porei em um dos bancos da igreja. É o que eu posso fazer por esta sofredora humana. A Dor dela já é uma dura resposta para a sua dolorosa pergunta a mim feita.

Ela adormeceu.

Posiciono-a em um banco da igreja, à esquerda do altar.

Olho para o altar.

Olho acima do altar.

Atrás, acima, uma imagem de Jesus de Nazaré, crucificado.

Na Galiléia, em inominável noite, encontrei-me com o meu Irmão Elevado Jesus.

Ele carregava a Sua Dor.

Eu carregava a minha Dor.

Eu carrego a minha Dor.

Esta inominável mãe, mãe de fé em seu Deus, deve carregar a sua Dor.

A Cruz Pesada Da Deusa Dor todos devem carregar.

Ela não vai mais orar pelo filho.

Ela saberá, ouvindo a Voz Da Cruz em seus sonhos nesta inominável noite, carregar até a sua Transição a sua Cruz.

Como eu carrego a minha, Eternamente Caindo.

Como Jesus carregou a Dele, Eternamente Elevado.


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