sexta-feira, outubro 20, 2006

Meditações Em Inominável Praia - Parte IV


Ela me acompanha desde que abandonei minha Condição Celeste. Ela, O Anjo Caído De Trapos, comigo caminhou desde que eu vivia em Atlântida. Ela viu a minha felicidade durante trezentos anos. Ela viu A Catástrofe, o meu choro ao perder Lydyan e os meus filhos, assim como os meus amigos atlantes. Ela acolheu, de longe, sempre, todas as gotas minhas de lágrimas perdidas. Ela recolheu, de longe, sempre, todas as dores altas em meu Ser Caído. Ela, longe de mim, sempre acompanhou-me, sempre observou-me, mas jamais dirigiu-me a palavra. Não posso aqui ficar a ignorá-la. Nesta praia, agora que pela primeira vez eu paro para meditar sobre a minha Caminhada Material, não posso ignorá-la. Não a ignorei durante cinquenta mil anos durante os quais eu perambulei pela Terra tendo a esperança de que cada criança nascida em cada cidade do mundo era Lydyan retornando. Enganado pelos meus momentos de angústia, com a minha Condição Espiritual Quedante, me enganei inúmeras vezes, como ainda continuo a enganar-me e a transitar perdido pela Terra à procura de Lydyan, que realmente agora retornou.

Ela acolheu todos os meus erros e em seus trapos costurou tudo o que me torna ainda mais Caído. Ela recolheu minhas Quedas em seus trapos e bate as suas asas como para demonstrar-me que Cair Eternamente em um Cair De Todo Momento Quedante é o meu Eterno Caminhar Pela Esfera Terrestre. Ela nunca esteve assim próxima de mim, sentada na areia daqui, a olhar-me com inominável olhar. Esse Anjo De Trapos é a dor que tortura-me, a dor que afugenta de mim as esperanças quando para Ela olho, quando Nela fixo minha atenção. Mesmo sem Nela fixar-me, Ela jaz em meu atormentado Ser Caído, atormentado Ser Ainda Caindo. Na Celeste Alvura, Ela foi um dos Anjos Das Vestes Douradas Das Sagradas Anunciações. Quanto Brilho Celeste, quanta Celeste Alegria, quanta Beleza Celeste, quanta Celeste Harmonia, os meus Olhos Celestiais Nela Viam. Os Anjos Das Vestes Douradas trajam As Vestes Da Eternidade e são os Guardiões Das Verdades Do Amor Celestial Aos Seres Materiais Anunciadas. Ela foi um Anjo Diurno Em Brilhante Celeste Vestimenta e ao seu Luzidio Anunciar De Anunciações muitos dos Grandes Seres Materiais que ergueram civilizações inspirados pelo Amor Celestial, ao ouvi-La em seus Espíritos E Almas Eternos, subiram um Degrau da Grande Escada Evoluiva Ascensória Ao Alto.

Ela cantava Celestes Melodias com sua Vestimenta Vocal Celeste. Ela adormecia nos centros dos sóis amando cada partícula destes nas quais dispersava-se. Ela acalmava Tempestades Cósmicas com seu Olhar Celeste De Amor para com os Seres Tempestuosos Do Kosmos. Ela tecia Vestes Celestes, como todos os seus Irmãos Dourados, para todos os nossos Irmãos Angelicais. Hoje, hoje, hoje... Hoje, Ela veste trapos... Hoje, Ela possui um olhar desprovido de qualquer brilho... Hoje, não saem melodias de seus lábios... Hoje, Ela esqueceu o que é O Amor Celestial... Esse hoje é o Hoje Eterno, Hoje a durar cinquenta mil anos, um Hoje meu, um Hoje Dela. Ela é O Anjo Caído De Trapos por minha causa neste Hoje nosso. Ela era Aquela que Nosso Pai Em Sopro, ao Moldar Em Seu Útero Materno as nossas Vestimentas Celestes Manifestantes da nossa Celeste Individualidade, a mim destinara como Companheira Eterna. Todos os Anjos, como os humanos, possuem o seu Complemento Existencial. Com o Toque de nossas Vestimentas nós nos tornaríamos Um, Um Anjo Novo, Diurno E Noturno, Anjo que concederia o porvir de Novos Anjos do Útero Materno de Nosso Pai Em Sopro. Os Anjos Elevados Eternamente, que jamais Cairão, isso cumpriram para O Nascer De Novos Anjos. Os Anjos Caídos, não. Desequilíbrios Celestes Harmônicos na opção pelo Cair de um Anjo necessitam de um Reequilíbrio. Por isso, Aqueles Que Seriam Os Companheiros Eternos De Um Anjo Elevado Que Cai Por Livre Vontade Também Caem.

Ela, por causa dessa Lei Celeste, também comigo Caiu. Ela não pensava na Matéria como todo Anjo Que Caiu, Cairá E Cai pensa. Ela era da Pureza Celeste Dourada e no Hoje Quedante é Carregadora Dos Meus Trapos Existenciais. Equilíbrio assim se Faz no Alto e para O Alto. Anjos Inocentes Caem ao lado de Anjos Culpados. A Inocência dos primeiros se torna asas que impregnam-se dos vestígios mais grosseiros da Matéria e se torna A Culpa Eterna Dos Anjos Caídos A Caminhar Ao Seu Lado. Todos os Anjos Caídos possuem tal Culpa ao seu lado na forma de Inocentes Caídos como Ela...
- Eu medito sobre a vossa Culpa, Asin, aqui nestes trapos a revestirem-me.
Pad Mar Ia La Ha falou finalmente comigo após cinquenta mil anos de silêncio. Fomos amigos antes da minha Queda, lembro-me de Dançarmos Juntos Com As Rodas Cósmicas Das Altas Esferas ao lado de nossos Irmãos Angelicais Mais Felizes. Fomos amigos antes da Queda, que tornou-se a Queda também Dela.
- Não sou vossa amiga, não sou vossa inimiga, não sou vossa acompanhante. Sou a vossa Culpa, Asin, a vossa Tortura Eterna. Torturo-o com a minha Presença e contigo hoje falo, neste Hoje que não era para ser o meu Hoje, para narrar-lhe a minha História Da Vossa Queda. Perto de ti, à vossa frente, devo ficar para isso, sou vossa Culpa. Meditemos sobre a Vossa Culpa Que Eu Sou, Asin. Tu verás melhor os vossos trapos em mim.

Languidamente, Pad ergue-se e caminha em minha direção.

Agora ela caminha em minha direção após cinquenta mil anos sendo-me menos do que uma sombra.

Minha Culpa é Ela.

A Culpa Eterna por tê-la comigo arrastado para o Baixo, para a Matéria.

A Culpa Eterna por ter pensado apenas em mim durante cinquenta mil anos.

A Culpa Eterna por ter pensado apenas em mim por causa de Lydyan.

A Culpa Eterna por ter pensado apenas em Lydyan...

Cada trapo que reveste O Anjo Caído De Trapos é a materialização da minha Queda Eterna.

Cada trapo sou eu...

Cada trapo condena-me a mais Quedas.

Cada trapo é a dor minha de Anjo Noturno Inominável.

Ela não é nenhum daqueles trapos.

Pad reveste-se de trapos porque eu a arrastei para o grande eterno trapo que é o Baixo, que é a Matéria.

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