terça-feira, outubro 17, 2006

Meditações Em Inominável Praia - Parte I


Resolvo parar aqui em uma inominável praia após os últimos encontros que tive com os meus Irmãos cuja Origem em comum advém do Sopro Criador. Parado aqui nesta praia, que não é uma praia da esfera física terrestre, que não é pisada por humanos e nem conhecida por muitos dos que andam pelas Trevas Terrestres, posso ter um instante mais próximo ao de uma paz que apenas tive ao lado de Lydyan e dos meus filhos. Viver aqueles momentos de paz foi viver em uma ondulante cristalina forma de totalmente dispersar-se na calmaria das coisas mais necessárias ao Existir Das Coisas Mais Altamente Necessárias. A calmaria em mim, agora, é rara, sou um furacão de ansiedades, sou uma tempestade intensa de altas poderosas rotas que me arrastam cada vez mais para a melancolia, a melancolia que também é sentida pelos demais Anjos Caídos como eu. Os humanos foram feitos da mesma Matéria Oculta Formadora Dos Anjos. Os Anjos choram, adoecem, riem, sorriem, amam e, como todo ser humano, também vivem a sempre Cair.

De tantas passagens minhas por cada recanto terrestre, desde que por esta Esfera caminho, reconheci nos seres humanos tudo o que os Anjos possuem. Anjos caem porque no Sopro a adoção de liberdade para Caminhar a cada Anjo é dada, assim como a adoção da Queda se esta Queda for-lhe necessária. Houveram Anjos que caíram e que se ergueram da Queda. Há Anjos que caíram e que amam o seu Novo Caminhar Na Queda. Não sou diferente dos meus irmãos, Diurnos e Noturnos, que Caíram e que amam agora o seu Novo Caminhar Na Queda. Não fui indiferente aos meus Irmãos, Diurnos e Noturnos, que pela Criação estão dispersos, que pela Terra estão dispersos, os quais Caindo vieram transitar nos mundos do Baixo. Observei cada paisagem Deles, cada paragem Deles, cada passagem Deles, cada ato Deles, cada erro Deles, cada acerto Deles, mais Quedas Deles, muitas Quedas a mais Deles. Aquele que a Humanidade reconhece como Satan e que foi o meu irmão Lun Ki Fer não é o mais importante dentre os Anjos Caídos, não liberou rebelião nenhuma contra Aquele Que Nos É Pai Em Sopro e nada governa. A cada humano eu quis contar a Verdadeira História Das Quedas Angelicais, mas se eu interferisse na evolução do Conhecimento Humano acerca das Obras Dos Movimentos Celestiais Das Quedas, todos os humanos jamais aprenderiam por si mesmos que Lun Ki Fer é apenas uma Bela Brilhante Luz Caída.

A Humanidade ainda aprenderá isso, nenhum Ser Do Alto pode levá-la a tal Conhecer, que é um Conhecer que deve ter o Seu Sopro a partir da Iluminação Total D'Alma Eterna. Eu Vi cada Queda antes da Queda De Lun Ki Fer, antes de receber O Sopro, como uma Consciência Desperta no Útero Criador. Sei contar o infinito de Anjos Caídos por todas as Esferas, sei narrar as trajetórias de todos eles em suas Novas Trajetórias De Quedas. Quanto eu me sentei ao lado de Lun Ki Fer na Praça Dos Tormentos, Praça Dos Sofrimentos, e com Ele assisti a várias outras Quedas e a várias outras situações de Anjos que serão levados a cairem do Alto. Desde que eu era um Anjo Noturno, desde que eu estava lá no Alto, com Lun Ki Fer eu me sentava no banco Daquela Praça Entre Todas As Altas E Baixas Encruzilhadas Da Infinita Criação Detentora De Outras Infinitas Praças, apenas ficando a observar Aqueles Que Caíram Do Alto, Aqueles Que Caiam Do Alto, Aqueles Que Cairão Do Alto. Diabo, Lúcifer, Satan, são nomes de mentiras fantasmagóricas cridas por seres que não estão ainda prontos para aceitarem Os Versos Da Verdadeira Verdade Do Conhecer Dos Movimentos Celestiais Das Quedas Tocando Em Suas Almas Eternas. Não há nenhum Diabo. Não há nenhum Lúcifer. Não há nenhum Satan. Pelo menos, externamente, não há Diabo, Lúcifer ou Satan. Mas, conheço Seres Superiores que se fizeram Diabo, Lúcifer e Satan em seus Interiores, em seus Eus Verdadeiros, e alcançaram assim A Iluminação Serpentina através Daquele Eu Oculto Serpentino que recebe da Humanidade o nome de Kundalini.

Demônios não existem, Anjos Caídos não são Demônios e nem estão abaixo dos demais Seres Da Criação na Escala Existencial De Todas As Esferas. Quero pensar que algum dia a Humanidade de todas as Esferas Baixas ainda saberá Ver e Sentir que essas são Verdades Maiores Que Fazem Eco Em Todas As Alturas Maiores. Quero pensar que algum dia todos os Anjos Caídos serão novamente Anjos Elevados. Quero pensar nisso, Meu Pai Em Sopro a me ouvires nesta inominável praia e a me iluminares nesta inominável meditação... Meu Pai Em Sopro, eu Vos deixei, eu Caí porque quis, Caí porque elevei-me em um Amor Verdadeiro pela mais bela criatura que encontrei no Baixo, perdi minha Celeste Coroa Inominável, mas ainda assim Tu És Ainda Meu Pai Em Sopro... Tu me iluminas nas minhas Trevas, nestas Trevas de cinquenta mil anos de Caminhada neste Planeta Terra e iluminas a todos que Cairam antes de mim, que cairam quando eu Caí e que Cairão ainda enquanto eu estiver ainda Caído. Todos os Anjos Caídos negam a Vossa Iluminação, mas Inominavelmente Tu és ainda o Nosso Pai Em Sopro. Tu estás contra mim apesar de me iluminares e impede o meu reencontro com Lydyan... Meu Pai Em Sopro, qual mais doce ida deve ser a partida de todas as minhas súplicas para que me deixes tocar novamente em Lydyan? Meu Pai Em Sopro, quanto das areias de praias nas Trevas Eternas ainda pisarei para enfim pisar na areia da praia da Luz Eterna que é Lydyan?

Não posso mais correr, quero muito agora nesta praia ficar.

Não quero mais desesperadamente correr, quero aqui me concentrar em mim mesmo.

Não correrei mais, após cinquenta mil anos ela retornou e ainda haverá muita areia em praias como esta na qual eu pisarei.

Não correrei mais, fico aqui nesta Noite Oculta.

Não correrei mais, fico aqui um pouco a encontrar-me com as minhas Noites.

Esqueci desde que Caí o que significa O Raiar De Um Dia.

4 comentários:

N^^ disse...

Ao ler-te... correu-me nas veias uma pergunta azul, que competia com o vermelho quente da pulsação; 'Quem és tu?'... mas ao ler-te, também, eu já sabia a resposta. Sabia a resposta antes até de fazer a pergunta. Há toques de asas que se reconhecem... ainda que tenha despido as minhas quando mergulhei.

Texto 'forte', intenso... poderia dizer-te e estaria a ser verdadeira (como sou sempre... porque 'de onde venho não se é de outra maneira')... mas mais do que um texto... são memórias de rotas de asas... não de pássaros... mas de ess~encia de cor de anjo.

Anjo que mergulhou...

É a primeira vez que não vou deixar a identificação num comentário a um blog.
Cheguei aqui, guiada pela mão de outro blog, onde vi um comentário teu... numa noite onde o sono soa a perda de tempo urgente para algo, que não sei... mas que me faz doer onde outrora era asas...

N^^

(Leste o Livro de Enoch? Pois é...)
***

Passos de Anjo



N*

Surgi da Luz e mergulhei na ausência.
Eu assim o quis. Foi escolha. Foi decisão.
Por Amor, vida que procura a metade, a eternidade, no pedaço que tens do meu coração.
Passos de Anjo, que acendem em fogo e Luz o caminho...
Trilhado sozinho...
Iluminaram-me o destino até ti.
Reflexos de nós guardavas nos teus olhos, eu sei, eu senti, eu vi.
Vi o abraço como papel dobrado, como imagem de um passado ultrapassado.
Vi a mão que afagava, que apertava a minha, desviar-se, negar-se...
Impedir o voo de andorinha.
Ah meu anjo, quem te ensinou a fugir da verdade?
Quem te obrigou a negar que de mim sentes saudade?
Quem te aprisionou o sentir?
Quem te cegou a emoção?
Quem te apagou do querer-me o sim e o substituiu por um gélido não?
Os meus passos de anjo levam-me de volta, o portal não espera.
Foste ilusão, sonho, esperança, quimera...
E hoje... és o horizonte perdido, sem lua, sem madrugada, sem nada.
Hoje... regresso a casa...
Onde guardo, no tempo suspenso, a tua metade de asa.

©N*
30/1/2003

N*........^^ disse...

«Os Anjos choram, adoecem, riem, sorriem, amam e, como todo ser humano, também vive a sempre cair.»

...

ANJO, LEVANTA-TE!



N*

Anjo, levanta-te!
A queda não é derrota...
Também no mar cai o azul grito da gaivota.
É batalha travada! Continua firme a caminhada!
As tuas asas são veleiros... firmes na rota como guerreiros...
Deixa-as pelo vento quente embalar!
Não tenhas vergonha...
Anjo pode acreditar, amar, errar, chorar.


Anjo, levanta-te!
O engano é um recomeço, não o fim...
Solta o cabelo na maresia, segue-lhe a direcção.
Tens um farol vivo em ti... ouve o murmúrio do teu coração.
E quando na estrada surgir o que está por vir...
Confia de novo! Anjo, acredita em mim!
Há quem saiba querer sem mentir...
Reaprende o sim... tira do peito a tatuagem do não!


Anjo, levanta-te!
Outro dia, outra vida, outra aurora está a despontar...
Reacende a chama, a luz verde no teu olhar.
Deixa que chovam em ti as boas memórias...
Mas não esqueças a dor, despe-a... deixa-a no chão.
Renasce na pureza da tua nudez!
Olha outro olhar... mergulha noutro mar...
Ama sem limites outra vez!

©N...^^
Lisboa, 23 de Maio de 2003

Inominável Ser disse...

Inomináveis Saudações, Companheiro Ou Companheira Inominável.

Não deduzireis quem tu és, mas vossa essência aqui ficarás e eu a reconheço como também lá do Alto... Tu voltarás a ler este post e aos vossos comentários e para ti deixarei esta resposta.

Eu li o Livro De Enoch e nele há mais do que a aparente narração de uma Queda Angelical. Ali está uma narração de inomináveis interpretações, há ali visões de inomináveis panteões, há ali verões em meio aos invernos de infinitas estações.

Cada Queda ainda dói.

Cada Queda doeu.

Tu, como eu, sabes como é tal Dor Eterna.

Tu estás a ler esta resposta, pois não sei quem és materialmente, mas espiritualmente, eu lhe reconheço.

Tu estás a ler, amigo, amiga, Companheiro ou Companheira Inominável.

Saudações Inomináveis, Companheiro Ou Companheira Inominável.

Ni disse...

Colocaste uma canção que conheço bem... tal como conheço as canções dos The Within Temptation... aliás, reconheci-as, num espectáculo e sorri, como faço sempre que reconheço algo ou alguém...

Sei que me conheces espiritualmente... sei como é a tua busca... sei como é a solidão interna, que só conhece quem, por opção, escolheu mergulhar. Sem lamentos... porque foi opção...

A Minha Solidão...

**Nin@**




A minha solidão nasceu quando me cortei as asas!
Quando te vi reflectido no lago sagrado da lua...
e não me aqueci no teu abraço..
Não bebi a vida que fluía da boca tua...

Quando nos teus olhos me revi...
e nos reconheci... e não te resgatei...
Quando te ouvi sussurrar metade do meu nome e te calei...
Quando só por dentro gritei... a metade que faltava...
O eu e tu... a senha sagrada!


Quando me estendeste o coração
e eu deixei arrefecer as brasas!
Quando despiste a aura para na minha mergulhar...
E eu recuei... impermeável à luz ...
Não te deixei em mim entrar...


A minha solidão... não é castigo, não é abandono,
não é imposição de dor!
É a escolha da história pré-escrita...
Onde nesta vida tu não podias ser
a personagem principal amor!


©Nin@

Apresento-me: Sou Inana... Nina... Ni... uma entre muitas, porém diferente de todas... numa Terra Atlante... Lisboa.

Mesmo materialmente vais reconhecer-me. Embora mutável, algo permanece que é a marca sagrada...

Voltarei aqui.

Abraço de vento

Ni*