terça-feira, outubro 31, 2006

Liberdade De Areia A Esvanecer-Se


- Qual é a da Deusa Liberdade, Anjo? Ela existe mesmo?
Estou em uma esquina italiana, de uma inominável rua italiana, em pé, sob a noite a inominavelmente ocultar-me. Quem me faz tal pergunta não é um encarnado, encarnados aqui onde estou, nas Sombras Noturnas, ver-me não podem. O espírito de uma bela mulher de olhos enevoados e tristes como o orvalho vermelho que vejo Cair das misérias e desgraças das árvores humanas plantadas é quem me faz tal inesperada pergunta perspicaz.
- Todo Ser Deve Buscar A Sua Liberdade.
- Que Liberdade? A Liberdade dada por Deus?
- Que Deus, Gilda Brahn?
- Seu Deus, Anjo Noturno Inominável. O seu Deus.
- A Liberdade não é dada por Deus e Deus não existe.
- Quando tu caistes, Anjo, deves ter batido o belo crânio em algum rochedo de costa litorânea dourada. Deus existe... Ou não existe?
- Devido à tua Condição Evolutiva, tu Sabes que...
- "O nome Deus nada fala Daquele Que Tudo Moldou"... De Anjos Caídos como tu e de Anjos Elevados, como tu eras, já ouvi a mesma frase vomitada. Se a Deusa Liberdade não advém Dele, de Quem advém?
- Da Existencialidade De Cada Ser Verdadeiramente Conhecedor De Seus Passos.
- E aqueles que desconhecem os seus próprios Passos são escravos de quem?
- Não há escravos...
- "Na Grande Essência Cósmica Envolvente De Toda Existente Forma Na Criação"... Anjo, já ouvi essa frase de Anjos Caídos como tu e de Anjos Elevados como tu eras!
- Por que, então, pergunta-me sobre Liberdade se já Sabes as respostas que lhe darei?
- Quero ouvir algo diferente. Quero ouvir que de Deus, ou seja lá que Nome se dá ao Criador De Todas As Coisas E Naõ-Coisas, advém a Liberdade, A Deusa Liberdade. Ela é uma Deusa realmente?
- Para Aqueles Que Em Seus Altares Interiores A Erguem Sobre Os Mais Altos Pedestais.
- Tua resposta de agora de Anjo algum ouvi...
- Cada Anjo possui a sua própria resposta a todas as humanas indagações, Gilda Brahn.
- É, ainda sou humana, apesar de estar na Imaterialidade, de ser um espírito perdido vagando pelas paragens terrestres. Fui poetisa, sabias? Poetisa no século dezessete, holandesa, rica, bela... E praticante das Artes Obscuras que me guiaram em minha Transição para o Vale Dos Poetas Perdidos. Eu devorava crianças em rituais honrando ao fantasma pagão de Lilith... Ah, Lilith, Lilith, Lilith, tu me abandonastes, maldita Lilith! Sabes o porquê de eu perguntar acerca da Deusa Liberdade para os Anjos Caídos como tu e para os Anjos Elevados do qual tu fostes Irmão Elevado? Eu pergunto a vós sobre Ela porque utilizei de toda a minha Liberdade Interna em tudo o que pratiquei de mal quando encarnada. Bem e Mal, eu sei, Anjo, também não existem, são Ilusões Que Obscurecem A Verdadeira Verdade Da Unidade Das Unidades Que Nós Somos No Seio Manifestante Do Pai Desconhecido. Já vistes que sou uma excelente estudante dos Pergaminhos Cósmicos... Estudo-Os nas Brumas Do Vale onde estou há 411 anos... Eu procuro as respostas diferentes de Anjos Caídos como tu e de Anjos Elevados como tu eras por causa dessa minha Escravidão Eterna. Há uma pergunta que nenhum Anjo Caído ou Elevado respondeu-me: por que estou assim condenada se A Deusa Liberdade em mim soava guiando-me por eu ser a senhora dos destino todos d'alma minha, pois todos os humanos destinos nada possuem com Deus ou seja qual Nome ou Não-Nome Aquele possua, sendo sempre obras das humanas mãos humanas?
- Toda Liberdade É Areia A Esvanecer-Se Se Contrária Ao Libertador Movimento Dos Espíritos Que São Mais Livres. Vossa Ilusão foi a de acreditar-se Mais Livre, Livre como todos os Anjos Elevados que Caíram, Caem e Cairão. Tu és humana e humanos, limitados como são, devem aprender que as suas Liberdades são tão pequenas como os grãos da areia que se avoluma quando pensam que são Mais. Toda humana areia a ser pensada e moldada como Mais destina-se inescapavelmente ao Esvanecer-Se. Ter sido má ou boa, conforme crêem todos os que não Visualizam A Veste Verdadeira Das Verdades Cósmicas, não modificaria a tua ilusão de Escravidão Eterna. Tu estás no Vale Dos Poetas Perdidos porque tu queres. Encontre Nova Liberdade e diante dos Senhores Supremos Da Vida Eterna poderás ter nova chance de carnalmente existires, em novo invólucro, limpo de teus crimes passados exteriormente com exceção dos pés, que trarão, como em vossa Alma Eterna, as marcas de vossa trajetória sanguinária.
Gilda permanece a fitar-me nos olhos quando termino de dar-lhe a resposta que nunca recebera de Anjos Caídos ou de Anjos Elevados. Ela deveria tê-la sozinha encontrada, mas eu a impedi de eternamente continuar a esvanecer-se mais em sua Caminhada Questionante. Rompi com uma Lei Eterna Maior? Rompi. Mas, Caído como estou, sem querer Retornar Para O Alto, meu Crime será recompensado. O brilho no rosto de Gilda é a minha recompensa.
- Dedicarias um momento agora para ouvir um poema em vossa honra, Anjo?
- Em tua própria honra ele também serás recitado.

Deslizante pelos Riachos,
Os Riachos Das Certezas
Nas Dúvidas,
Acendo uma velha
Tocha Interna minha
E apago toda nova
Cinza Etérea
Que inimiga
Intenta encobrir-me.
Os Raios Dos Riachos
Dançam todos irmanados
Nos Círculos Existenciais
Das Verdades Eternas,
Verdades De Terras,
Verdades De Eras,
Verdades De Serras,
Verdades De Radiantes
Cores Dos Mares
Que Passam Pelos Riachos
Como Pais A Afagarem
Filhos Mui Amados.
Deslizo sobre os Riachos,
Deslizo por cada
Sagrada Eterna Gota D'Água
Das Certezas Nas Dúvidas,
Meu corpo duvida
De mim,
Minha Alma Eterna
Tem a certeza
De que eu sou
De mim mesma.
Do Riacho Inominável
Advém Toda Água
Dos Riachos.
As Dúvidas São Inomináveis.
As Certezas São Inomináveis.
O meu Caminhar agora
É Riacho Dos Mais Inomináveis.

Ao completar os versos, Gilda sorri novamente e parte para o Vale Dos Poetas Perdidos.

Não fui O Salvador De Gilda Brahn.

Salvadores inexistem.

Salvadores são lendas.

Salvadores são mitos.

Apenas guiei Gilda para mirar-se em seu Riacho Interior.

Ela encontrará, inominavelmente, sentindo Essência Nova, o seu Lago Interior.

Encontrará seu Mar Interior.

Encontrará seu Oceano Interior.

E, então, será o seu próprio Louvor Libertador.

Quem crê em salvadores externos apenas acumula areia em suas tentativas de encontro com A Deusa Liberdade.

Salvar-se interiormente é Dádiva Inominável a poucos concedida.

Não concedi Dádivas a Gilda.

Ela é quem se concederá a tal Dádiva.

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