segunda-feira, outubro 16, 2006

A Inevitável Vinda Da Foice


Na andança de hoje pelas sombras, meus melancólicos devaneios me fazem mais filho desterrado de um Paraíso que nunca tive. Meus olhos estão preenchidos pelas névoas desiguais dos Vales que tenho que percorrer pelas noites a fim de não ser encontrado pelos meus Irmaõs Noturnos. Estou vagando sem direção neste mundo desde que percebi o retorno da alma de Lydyan a ele, em novo invólucro, em novo tempo, este tempo que sequer passa pelos tempos da Idade De Ouro Atlante na qual vivi. Todo este mundo sempre me foi querido, assim como todas as criaturas dispersas em seu Ser. A Matéria, enfim, com as suas perdas mais do que ganhos, fracassos mais do que vitórias, fins mais do que inícios, é muito mais plena do que a Imensidão Imaterial Dos Altos Planos. Lá, eu vivia sem me satisfazer com as Plenas Formas Verdadeiras Das Coisas, eu Via todo o meu Caminhar até Ele, eu Via todo o Caminhar Da Criação até Ele. Permanecia reduzido nesta Visão e todo Horizonte a mais era-me pequeno, já estava determinado, já estava fadado a ocorrer conforme As Escrituras Das Esferas Da Criação. Necessitei Cair para perceber que todas as Esferas são amplitudes corretas do Existir e que mesmo na mais mísera das criaturas há muito mais do que simplesmente ver a completude de sua Caminhada ou a finitude de sua Não-Caminhada.

Passo por este Vale desde que Lydyan se foi. Entre os continentes há Dimensões que envolvidas nas brumas da Esfera Terrestre Oculta oferecem aos Transeuntes Ocultos deste mundo que não querem ser percebidos pelos humanos a oportunidade de livremente transitarem. No Conhecimento Das Forças Da Natureza Oculta movo-me por esta Esfera, vou de continente a continente, buscando-a e tentando confortar-me com as observações das atuações humanas. Curioso é o cabedal de situações e atuações da Humanidade, infinitamente os humanos se recriam, se desenvolvem, mas não se dão conta da Permanência, do Sentido de que sua recriação e desenvolvimento podem lhes ser as chaves de uma completa base de engrandecimentos hoje perdida por eles e conhecidas pelos povos até mais antigos, deste mundo, do que os atlantes. A Mortalha é extensa na Humanidade e seu ato de envolver os que se assemelham a Ela com suas atitudes caracteriza A Face de Alguém que ao meu lado surge agora neste Vale Das Transições.

- Carregas para todo lado a vossa dor e com as dores humanas tu não te preocupas, Anjo Noturno. Tua vaidade é grande, apenas caminhando aqui por causa da tua Lydyan tu te esqueces das demais almas sofredoras que eu Toco para fazerem menos lamentos no Éter. Admiras a ti mesmo em teu próprio sofrimento e nem tens a coragem de sair um pouco de ti para pensar naqueles que sofrem dentre os humanos dos quais tu muito gostas.
- Falai-me de sofrimento, do meu sofrimento, do sofrimento humano, mas o vosso sofrimento, Anjo Da Morte, é O Sofrimento Por Ter Que Cortar Eternamente O Fio Da Vida De Todos Os Seres Do Baixo Que Ainda Não Se Desprenderam Da Matéria. Vosso Sofrimento é o do Nunca Repouso, o do Nunca Pouso, o do nunca poder sentar-se à beira do mar e assistir em noite de belo luar ao Ondular Das Marés Visíveis E Invisíveis Do Grande Mar. Sabemos que cada criatura deve sofrer, seja na continuidade de seu caminhar em uma existência e em várias, e a ação de aliviar apenas faz com que tais seres jamais aprendam que o sofrer é um ensinamento que lhes dá A Lâmpada Que Ilumina O Abismo Das Formas E Das Não-Formas. Deixo de auxiliar aos sofredores porque o sofrer, eu sei mais do que Tu, Anjo Da Morte, vai ensiná-los a Beber Da Água Verdadeira Das Chamas Das Lágrimas.
- Ainda assim, considero-te um egoísta, um dos mais egoístas dos Anjos Caídos. E eu sou mais sábia do que ti, pois continuei a seguir com A Foice em minha Obra Eterna que é desmerecida pelos que não me compreendem. Se eu corto O Fio, o mais cruel Ato é o do Construir De Toda Existência, é o Ato Dos Senhores Supremos Da Vida Eterna De Todas As Almas. O caminho mais curto seria o da evolução completada logo ao alvorecer do primeiro existir material de uma alma. Mas, a crueldade Deles é tamanha que elevam essa evolução a infinitas existências em infindos aeons. Não sou A Dama Terrível, A Senhora Indesejável, A Cadavérica, como todos me denominam em todas as Esferas. Eles, que me deram este Serviço Eterno, meus patrões lá do Alto, são os que merecem denominações como essas.
- Fostes tu mesma que escolhestes esse Caminhar, Tan A Tos, não culpeis aos Senhores e não os chameis de cruéis.
- Tu Caistes e ainda consideras aos do Alto?
- Por isso mesmo eu é que sou o mais sábio dentre nós dois, Anjo Da Morte.
- Eu cortei o Fio da tua Lydyan e a conduzi por todas as Esferas nestes cinquenta mil anos de vossa Caminhada no Baixo, até que ela, sob a permissão Deles, de seus Mestres e a Daquele, pôde retornar para esta Esfera com a mesma vontade que tu tens, a vontade de reencontrá-lo. Ela é uma humana bem distante de ti, sem a memória de todas as coisas que contigo viveu, e sem as características evolutivas que adquiriu por ter se tornado um grande Espírito Evoluído como tu eras. Tua Lydyan, pelo Amor Espiritual que sentes por ti, escolher assim retornar à Terra. Ela não possui lembranças que de ti a aproximem, Asin, ou Anjo Noturno Inominável, como preferes ser vaidosamente denominado. Afastada pelos Véus Dos Ocultamentos Necessários de ti estás. Encontre-a antes do Fio dela se encerrar. Tu já sabes disto tudo que meus lábios tão desprezados por todos os Seres Da Criação decantaram com fervente exatidão. Encontre-a antes que a minha Foice se aproxime dela em dia ou noite na qual o Fio que a mantém encarnada como humana sempre próxima do morrer irei cortar.
Ela segue outro Caminho e eu continuo a percorrer a Via que escolhi para chegar aonde eu quero. Suas palavras não me afetaram, já vi o trabalho dela e sei como não se deve apressar um findar de uma Caminhada. Tan A Tos não chegará antes de mim até Lydyan!

Sobrevoarei com as minhas asas as terríveis tempestades das obscuras auroras!

Tecerei escudos em redor de mim!

Tecerei escudos entre mim e Lydyan!

Vou sobrevoar acima de todo o Cortar De Fios De Tan A Tos!

A Foice não pode ser impedida!

Eu não posso ser impedido!

Lydyan, até ti irei enfrentando todo impedir Daqueles que não nos querem unidos novamente!

Lydyan, se for preciso encarcerarei o Anjo Da Morte com os recursos e preceitos das mais negras artes da Magia!

Terei a ti, Lydyan!

Tu por Tan A Tos não serás atingida!

Um comentário:

PanTeRA neGrA* disse...

Inominável Ser, as tuas moradas são enorme diante da dimensão que escreves. Esse amor, essa vida, esse desejo, esse querer, esse ir e voltar, esse morrer e renascer entre paraísos desconhecidos dos homens de hoje, torna-te um mago das palavras na boa aventurança de atingires lugares que te levem direito à mansão, de onde afinal, nunca saíste. A memória acorda-te a cada momento como se quase tocasses o éter da tua própria luz.

Boa viagem, Inominável Ser.